Roteiro de ônibus até La Paz na Bolívia

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Nesta primeira postagem, vou falar a respeito da viagem Brasília – La Paz na Bolívia e de como meu caminho foi pautado por confiar totalmente no acaso.

Há pouco mais de um ano, comecei a cogitar a possibilidade de fazer um mochilão saindo de Brasília com destino à cidade em ruínas dos incas. Por terra.

Aí você deve estar pensando “ah mas não tem novidade nenhuma nesse trajeto”.

De fato, pegar a estrada até a fronteira com a Bolívia e seguir até o Peru não é um roteiro original.

Muita gente faz isso todos os anos. No entanto, eu queria fazer o caminho com apenas um esqueleto de roteiro, sem reservar hostel ou passagens, apenas ir e desvendar o caminho.

Tirei 25 dias de férias para ter tempo suficiente e fui, apenas fui. 

Deixando o cerrado para trás

Minha viagem teve início no dia 21/04/2016.

A ideia era cruzar a Bolívia apenas para chegar ao Peru pois, segundo muita gente, não há o que fazer por lá, além do Salar de Uyuni e de Copacabana. Errado!

A Bolívia tem paisagens lindíssimas e muita coisa para conhecer!

Escolhi um trajeto um tanto “idiota” para chegar à fronteira. Digo isso por ter sido uma viagem longa e extremante cansativa de 28h até Corumbá, no Mato Grosso do Sul.

O ônibus passou por parte de Minas Gerais e São Paulo, para só depois seguir em direção ao MS.

Mas por que diabos peguei esse ônibus tão demorado quando há outro que faz o trajeto direto?

Por uma simples questão de horários. Eu queria chegar a Corumbá cedo o suficiente para atravessar a fronteira rapidamente e não ter que dormir em Puerto Quijarro, a pequena cidade que faz fronteira com o Brasil.

Confesso que não faria o mesmo trajeto de novo. Foi muito cansativo. Porém, me permitiu ver paisagens do Brasil que desconhecia até então.

Ao chegar a Corumbá, senti que viagem estava realmente começando. Estava agora a caminho da Bolívia finalmente!

Aí cabe uma reflexão: devo voltar ao MS para conhecer o Pantanal. Sério. Que paisagem fantástica!

Uma estrada longa, reta, cruzando um cenário que só conhecia por fotos. Vi animais como o tuiuiú, ou jaburu, ave símbolo do Pantanal, entre outros. Valeu muito a pena!

O taxi para chegar ao controle de fronteira custou R$50,00. Sim, caro para uma corrida super curta, mas extremamente longa para fazer a pé.

Ao chegar à fronteira que, diga-se de passagem, é extremamente desorganizada no lado Brasileiro, havia uma fila enorme de bolivianos e poucos brasileiros.

Era uma fila única para entrar ou sair do Brasil e apenas um funcionário atendia naquele momento.

Logo, foram 4 horas de espera. Já no lado boliviano, a travessia foi melhor. Haviam três funcionários e a entrada na Bolívia levou apenas 10 minutos.

Em terras bolivianas

Puerto Quijarro é uma vila praticamente. Muita pobreza, muita sujeira e cheiro de fritura.

Aí vai uma dica: troque apenas um pouco de dinheiro ao chegar. Existe muito dinheiro falso circulando e, com menos, você corre menos riscos logo no início da viagem.

Nesse mochilão, os pesos bolivianos estavam quase pela metade do Real. Logo, R$150,00 foram suficientes para mim. Dividi um taxi com uma brasileira que estava atravessando a fronteira (5 bolivianos a corrida pra cada um).

Outra dica: TUDO na Bolívia é negociável. Se o taxista disser 15, diga 8. Vai acabar conseguindo fechar em 10 bolivianos. 😉

A rodoviária de Puerto é pouco mais que um galpão com empresas de ônibus tentando vender passagens loucamente.

Fechei um ônibus cama por 80 bolivianos, com ar, wifi e sabe-se lá mais o que. No entanto, na hora marcada, às 19h, o bendito ônibus não apareceu. Às 21h nada e as pessoas começaram a perder a paciência.

O ônibus havia quebrado e não havia previsão para a saída do mesmo. Estava ficando tarde e eu estava ultra cansado e sem vontade de ficar ali.

Eis que a empresa dá a solução: um ônibus velho, sem ar, sem poltronas reclináveis, todo enfeitado e, aparentemente com problemas no escapamento. Os passageiros se enfurecem e eu, já desgastado, pedi que me devolvessem a metade do valor pago para embarcar naquela monstruosidade.

A parte divertida: tomei conta de duas poltronas na frente – eu e a mochila – e esperei as pessoas me seguirem. Assim foi. O ônibus da morte, como alguns estavam chamando.

Saiu e chegou a Santa Cruz de La Sierra em menos tempo que qualquer outro. Ainda bem que a viagem foi noturna e não vi as loucuras que o motorista fez na estrada.

Sobre Santa Cruz, para mim também era apenas um local para passar a noite e seguir viagem. Cidade bem pobre – ao menos na área de rodoviária – e bem suja também.

No entanto, a medida que você chega perto do centro, a coisa muda.

A cidade é dividida em três anéis. O anel central, onde ficam as áreas mais bonitas, foi onde encontrei um hotel. Sim. Hotel. Estava cansado demais para procurar hostel e, depois de 50h de viagem, merecia um quarto só meu.

Gastei 110 bolivianos, bem acima do que pensava em gastar, mas ok, era só uma noite.

Depois de um merecido banho (lenços umedecidos salvam a vida dos mochileiros…) fui passear pelo centro da cidade. Meu hotel ficava ao lado da Plaza 24 de Septiembre, uma bela praça central onde fica uma catedral.

 

Basílica Menor de San Lorenzo
Basílica Menor de San Lorenzo

 

O centro de Santa Cruz tem áreas bem cuidadas, parques, muitas lojas, bares e restaurantes. Numa das praças encontrei uma cafeteria excelente cujo dono era brasileiro (estamos por toda parte).

 

Arte urbana em Santa Cruz

 

No dia seguinte, era hora de seguir viagem para La Paz.

Resolvi tentar algo diferente, talvez movido pelo cansaço. Fui até o aeroporto pois, segundo o taxista, uma passagem aérea não sairia por mais de 400 bolivianos.

Quebrei a cara. O preço do voo pela BOA (Boliviana de Aviación) era o mais em conta, por 600 bolivianos. Bem, desencanei, despachei a mochila cargueira e apenas fui.

Tendo essa possibilidade, faça o voo de Santa Cruz a La Paz. Vale MUITO a penas pois, chegando em seu destino, você pode ver a Cordilheira dos Andes e as demais montanhas que cercam o vale onde fica a cidade.

É maravilhoso e a viagem leva apenas 45 minutos.

Paisagem maravilhosa ao chegar a La Paz
Paisagem maravilhosa ao chegar a La Paz

E esse foi o trajeto até La Paz na Bolívia.

Confira meu outro artigo Bate e volta na Ilha da Magia – Floripa

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